Tinah, o primeiro robô contra a Febre Amarela no Brasil

1 fev

Foto do mosquito transmissor da Febre Amarela

Descubra como combater epidemias usando bots

Por Leandro Racuia *

A febre amarela é uma questão séria no âmbito da saúde pública e suplementar.

Segundo as últimas atualizações do Ministério da Saúde, são 213 casos confirmados da doença desde julho de 2017, o que sinaliza uma grande preocupação.

Ao todo, foram notificados 1.080 casos suspeitos dos quais 435 estão sendo investigados e 432 descartados, além dos confirmados como dito acima. A região mais afetada é de longe a sudeste, com 212 ocorrências da doença (108 em SP, 77 em MG e 27 no RJ). Por isso, estes estados serão priorizados na distribuição de vacinas a princípio.

Áreas aonde é recomendado tomar a vacina da febre amarela

Retirado de: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/veja-as-areas-de-recomendacao-para-vacinacao-contra-a-febre-amarela.ghtml

 

De toda maneira, pode-se pensar qual é o risco com a situação? Primeiro, é importante mencionar que 83 dos casos confirmados foram relatados desde a última quinta-feira (25/01/2018). Além disso, podemos evidenciar alguns fatores críticos relacionados com a dispersão da doença: diferenças entre ciclo silvestre e urbano da doença; vetores e hospedeiros da doença; conscientização e prevenção.

Ciclo silvestre e urbano

Abordando o ciclo silvestre e urbano da doença, basicamente se refere em que contexto a doença está sendo transmitida. Desde 1942, não havia registro de febre amarela urbana. Todos os casos eram provenientes de pessoas que viviam em área rural ou viajaram a áreas de risco e foram infectadas. Isto significa que os registros de febre amarela tinham necessariamente contraído a doença em um local de mata / floresta.

Em 2017 e 2018, todas as pessoas que tiveram a doença confirmada ainda indicam que o quadro foi desenvolvido no ciclo silvestre, mas o medo envolvido é que a transmissão da doença comece a ocorrer através da picada do mosquito Aedes Aegypti, sendo transmitido de pessoa a pessoa dentro da cidade.

Para o infectologista Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Arboviroses, toda a região de São Paulo está em risco por não ser possível prever o deslocamento de residentes pela cidade. A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballai, corrobora da mesma opinião, embora o Ministério da Saúde tenha determinado que as área de vacinação continuam de acordo com a circulação do vírus conforme estratégia já divulgada anteriormente.

A princípio, no Brasil, a região norte do país era uma zona endêmica da doença em que era recomendado a vacinação para toda a população que visitasse ou morasse nela. No entanto, já na última década foram identificadas a morte de primatas pela febre amarela no sentido norte-sul do Brasil, em especial no sudeste – o que gerou um alerta para as autoridades de saúde. E agora a situação é bem mais grave, motivando Marcos Boulos (coordenador do controle de doenças de SP) a dizer que acredita em um plano de ação para todo território nacional.

Vetores e hospedeiros da doença

Ainda assim, não há razão para desespero uma vez que por hora todos os casos confirmados fazem parte do ciclo silvestre, transmitidos pelas espécies Haemagogus e Sabethes. A grande preocupação consiste no fato de o Aedes Aegypti também um vetor da doença, o que poderia causar um novo surto urbano.

Deste modo, os únicos transmissores da doença são os mosquitos dessas três espécies. Os macacos estão sendo culpabilizados de forma equivocada. Macacos não transmitem a febre amarela! Mas sim, nos ajudam a identificar onde há focos da doença para que possamos agir.

Folder do SUS e prefeitura de São Paulo avisando que macacos não transmitem a febre amarela

Retirado de: Prefeitura de São Paulo

 

Aliás, pensando em ação, a conscientização e prevenção são as melhores medidas a serem tomadas pela esfera pública. A forma mais eficiente de prevenção é a vacinação, que é segura e eficaz contra a doença. O desafio no caso é conseguir a quantidade de vacinas para atender toda a população.

Ações contra a Febre Amarela

O secretário municipal de saúde, Wilson Pollara, disse que seria possível vacinar toda capital em 10 dias. Mas, o gargalo é quantidade de vacinas necessárias. Segundo o governador do Estado, Geraldo Alckmin, serão recebidas mais de 1 milhão de doses para Febre Amarela. A expectativa é vacinar 7,3 milhões de pessoas em 53 municípios.

Já em relação a conscientização, os gestores públicos têm contado com as grandes mídias para ajudar na veiculação de informações. Como por exemplo: vetores e hospedeiros da doença; onde acontecerão campanhas de vacina; quantidade de casos confirmados e outras informações relevantes. Além disso, o governo também tem feito propagandas constantemente, usado agentes públicos de saúde e outros canais.

A população, no entanto, está em busca de informação de todas as fontes possíveis e uma das menos exploradas até então são as mídias sociais. No Facebook, há a possibilidade de acessar a página tinah que é uma assistente pessoal de saúde feita especialmente para lidar com situação da Febre Amarela e converse com ela sobre quem pode ser vacinado, postos de saúde acessíveis e várias outras informações.

Tinah. o rpiemiro chatbot contra a febre amarela

A Tinah é um dos chamados chatbots, robôs que interagem com as pessoas por meio de mensagens de texto. De modo simples e leve, a Tinah é capaz de entender o que as pessoas escrevem. Então interage automaticamente de maneira humanizada enviando uma resposta com o que pessoa deseja saber.

O que há por trás da Tinah?

O projeto foi idealizado para gerar impacto social diante da dimensão e repercussão do assunto sobre a febre amarela. A ideia é combater a doença e conscientizar a população em relação a dúvidas. Foi este propósito que a TNH Health decidiu aproveitar sua expertise em interações para criar a Tinah, um chatbot gratuito no Facebook sobre o tema.

O desafio interno da equipe aconteceu no “estilo hackathon”. Em poucos dias, com o time mobilizado, preparamos este robô especialista em febre amarela para democratizar o acesso à informação em saúde. Principalmente focado em pessoas em situação de vulnerabilidade social. Conversa com a Tinah para saber tudo sobre a doença!

* Leandro Racuia é o growth hacker da TNH Health. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leandroracuia/.

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